COMO FAZER SUA PRÓPRIA PREVIDÊNCIA: UM CAMINHO INFALÍVEL PARA OS JOVENS – PARTE II

Na primeira parte deste artigo exemplificamos uma trajetória de investimentos possível de ser seguida pelos jovens.

Essencialmente, sugerimos aportes de baixo valor no início, crescentes ao longo do tempo, à medida em que o jovem aumenta sua renda.

Nesta continuação, abordaremos as modalidades de aplicações que poderão ser utilizadas nesta trajetória.

Seremos sucintos em relação às tecnicidades que se apresentarem no artigo. O objetivo é demonstrar um exemplo de trajetória de investimentos possível de ser seguido por quem recebe menos de dois salários mínimos, e não esgotar o assunto sobre a aplicação A ou B.

A recomendação aos leitores inspirados pelo artigo é que aprimorem seus conhecimentos conforme a sequencia das aplicações apresentadas.

Pressupomos em nossa trajetória-exemplo uma hierarquia condizente com a complexidade dos investimentos, privilegiando os mais simples (e seguros) no início da jornada.

É assim que deve ser. Você não deve investir em risco antes de conhecer e compreender as opções mais conservadoras. Deve dobrar a meta, não o risco. 🙂

Você vai perceber que o seu processo de educação financeira naturalmente te guiará até o mercado de renda variável, numa jornada com início, meio e fim.

Não pule etapas para tentar ganhar dinheiro mais rápido. A experiência de quem faz isso muitas vezes é desastrosa.

Aliás, você nem precisa chegar à Bolsa, se nunca se sentir a vontade com ela. Sua paz de espírito é mais importante para sua saúde do que uma possibilidade de ganhar ou perder dinheiro que lhe tome o sono.

Para atacar essa questão, proponho que considere a matriz abaixo, para qualquer tipo de aplicação:

Matriz Anímica de Investimentos
Se você se sente tranquilo quanto à aplicação. Mantenha ou realize o investimento.
Se te causa temor ou ansiedade. Não faça, ou se o fez, avalie a possibilidade de resgatar a aplicação.

Por outro lado, proponho que reflita sobre uma segunda matriz, esta prioritária:

Matriz da Satisfação com o Padrão/Estilo de Vida Atual e Futuro
Se você se sente satisfeito com seu padrão e estilo de vida atual e o seu futuro financeiro não te causa preocupação. Não existem muitos motivos para você investir, utilize sua renda como quiser. Apenas não gaste mais do que ganha.
Se você se sente inquieto com seu atual poder de compra, distante do estilo de vida desejado e possui alguma preocupação com o futuro. Aprimore sua educação financeira, estude sobre investimentos e de fato invista.

Feita essa introdução, veja o que você irá aprender e descobrir neste artigo:

  • A aplicação para você começar agora a sua jornada de investimentos.
  • Um caminho plausível para você seguir, dentro de uma curva de aprendizagem alinhada com a hierarquia de complexidade dos investimentos.
  • Quanto aquele jovem da primeira parte deste artigos poderá acumular até os 30 anos?
  • O que fazer depois disso?

É importante registrar que as taxas de juros utilizadas nas projeções foram baseadas na média composta de 24 meses – de janeiro de 2016 a dezembro de 2017, obtida por cada aplicação específica, ou, no caso de aplicações inespecíficas, obtida pelo índice que represente sua categoria.

Não existe garantia de que essas médias se manterão pelos próximos 24 meses, tampouco por mais de uma década. Embora baseadas em dados realistas, elas poderão performar melhor ou pior no futuro, a depender de inúmeras variáveis.

O motivo de não utilizarmos taxas referentes a períodos maiores resulta da restrição na divulgação destas informações, visto que para alguns tipos de aplicações e índices a consulta de períodos mais amplos está condicionada à contratação de serviços pagos.

Para o imposto de renda, considere a alíquota mínima de 15% (exceto para aplicações isentas), entretanto, fique atento, pois tal alíquota somente poderá ser alcançada a partir do segundo ano de aniversário de cada aplicação.

Para efeito de simplificação, não consideraremos a inflação nos cálculos. Entendemos que essa medida não prejudicará o objetivo didático do artigo.

CONSTRUA O HÁBITO DE POUPAR: com 17 a 18 anos, guarde 50 reais todos os meses na POUPANÇA


Valor Inicial Aplicação Mensal Períodos Total de Aplicações Taxa de Juros Rendimento Montante
R$ 0,00 R$ 50,00 24 R$ 1.200,00 0,5831% R$ 84,02 R$ 1.284,02

Entre 17 e 18 anos, sem dispor de capital inicial, você irá aplicar R$ 50,00 por mês na poupança, por 24 meses consecutivos, alcançando R$ 1.200,00 em aplicações, a uma taxa de juros média de 0,58% ao mês, que resultará em uma rentabilidade de R$ 84,02 e um montante de R$ 1.284,02 ao final do período.

A taxa de juros da projeção foi baseada na média composta obtida pela poupança no período de janeiro de 2016 a dezembro de 2017, apurada na Calculadora do Cidadão do Banco Central.

Acompanhe a relação entre seus aportes e os juros que serão recebidos até o final desta etapa:

como fazer sua própria Previdência

Acompanhe a evolução do seu patrimônio:

como fazer sua própria Previdência

Claro que é pouco, mas lembre-se: o principal objetivo neste estágio será “desenvolver a sua rede neural do hábito”. Após se tornar um poupador contumaz, você estrá pronto para a próxima etapa.

SEU HERDEIRO VAI TE AGRADECER POR ISSO: com 19 a 20 anos, guarde 100 reais todos os meses no TESOURO SELIC


Após adquirir o hábito de poupar mensalmente, você não terá mais motivos para manter os valores destinados à construção do seu patrimônio na poupança. Será a hora de migrar para a aplicação mais segura do Brasil – o Tesouro Selic.

Valor Inicial Aplicação Mensal Períodos Total de Aplicações Taxa de Juros Rendimento Montante
R$ 1.284,02 R$ 100,00 24 R$ 2.400,00 0,9446% R$ 604,72 R$ 4.288,73

Entre 19 e 20 anos, iniciando com o capital de R$ 1.284,02 acumulado na poupança, você irá aplicar R$ 100,00 por mês no Tesouro Selic, por 24 meses consecutivos, alcançando R$ 2.400,00 em aplicações, a uma taxa de juros média de 0,94% ao mês, que resultará em uma rentabilidade de R$ 604,72 e um montante de R$ 4.288,73 ao final do período.

A taxa de juros da projeção foi baseada na média composta de janeiro de 2016 a dezembro de 2017 do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) – indicador que segue muito de perto a rentabilidade do Tesouro Selic, apurada na Calculadora do Cidadão do Banco Central.

Acompanhe a relação entre seus aportes e os juros que serão recebidos até esta etapa:

como fazer sua própria Previdência

Atente-se que enquanto seu aporte aumentará “apenas” 100% em relação ao período anterior, o valor recebido em juros se elevará em mais de 700%. É a mágica dos juros compostos começando a dar o ar de sua graça.

Constate no gráfico abaixo a guinada na evolução do seu patrimônio a partir do momento em que você dobrar o aporte e melhorar sua rentabilidade:

como fazer sua própria Previdência

MENOS COISAS AO REDOR, MAIS COISAS NA CABEÇA: com 21 a 22 anos, guarde 200 reais todos os meses nos demais TÍTULOS PÚBLICOS


Dois anos após ter iniciado a sua trajetória de investimentos nos títulos públicos – quando realizou sua primeira aplicação no Tesouro Selic, você já estará totalmente convencido de que essa aplicação é mais segura e rentável que a poupança.

Aplicação A mais segura e rentável que aplicação B é o melhor dos mundos nos investimentos. Depois de iniciar no Tesouro Selic, poupança nunca mais.

Durante esse período certamente você terá reparado na existência de outros títulos “parentes” do Tesouro Selic: o Tesouro IPCA e o Tesouro Prefixado. Pois bem, são nesses títulos que você passará a investir a partir desta etapa, predominantemente no Tesouro IPCA e eventualmente no Tesouro Prefixado, sem esquecer do próprio Tesouro Selic.

Portanto, você irá construir um mix de títulos públicos  Não é o objetivo deste artigo sugerir como você deve dividir suas aplicações entre esses títulos, pois existem muitas variáveis nessa decisão.

Contudo, a ideia é que você alcance essa resposta durante os dois anos em que irá aplicar exclusivamente no Tesouro Selic. Esse será o período para você estudar as outras opções de títulos públicos e definir sua estratégia.

Nesta ocasião você não migrará o capital já acumulado para a nova aplicação. Deixe o seu  Tesouro Selic quietinho lá para qualquer emergência.

Valor Inicial Aplicação Mensal Períodos Total de Aplicações Taxa de Juros Rendimento Montante
R$ 0,00 R$ 200,00 24 R$ 4.800,00 1,3123% R$ 799,17 R$ 5.599,17

Entre 21 e 22 anos, sem capital inicial, você irá aplicar R$ 200,00 por mês em títulos públicos, por 24 meses consecutivos, alcançando R$ 4.800,00 em aplicações, a uma taxa de juros média de 1,31% ao mês, que resultará em uma rentabilidade de R$ 799,17 e um montante de R$ 5.599,17 ao final do período.

A taxa de juros da projeção foi baseada na média composta de janeiro de 2016 a dezembro de 2017 do IMA-GERAL ex-C – índice que representa uma carteira teórica de títulos públicos federais – publicado pela Anbima.

Neste estágio a distribuição de sua carteira estará do seguinte modo:

como fazer sua própria Previdência

Não se esqueça que sua aplicação anterior continuará rendendo juros. Nesta altura você terá alcançado R$ 5.374,31 no Tesouro Selic e R$ 5.599,17 em títulos públicos variados.

Observe que os juros continuarão diminuindo a diferença para os aportes:

como fazer sua própria Previdência

Enquanto seu aporte novamente aumentará 100% em relação ao período anterior, o valor recebido em juros atingirá um crescimento de mais de 200%.

Observe a parábola se formando no gráfico que registra a evolução do seu patrimônio:

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CUIDADO COM O FILHO DE LATA: com 23 a 24 anos, guarde 300 reais todos os meses em TÍTULOS PRIVADOS GARANTIDOS PELO FGC


Depois de ampliar sua experiência com os títulos públicos, será a hora de diversificar sua carteira com os títulos privados garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito:

  • Certificados de Depósito Bancário – CDB;
  • Recibos de Depósito Bancário – RDB;
  • Letras de Câmbio -LC;
  • Letras de Crédito Imobiliário – LCI;
  • Letras de Crédito do Agronegócio – LCA;
  • Letras Imobiliárias – LI;
  • Letras Hipotecárias – LH;
  • Operações Compromissadas;
  • Depósitos a Prazo com Garantia Especial – DPGE.

O Fundo Garantidor de Crédito é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que administra o mecanismo de proteção aos depositantes e investidores no âmbito do Sistema Financeiro Nacional, até os limites estabelecidos pela regulamentação, contra instituições financeiras a ele associadas, em caso de intervenção e liquidação extrajudicial e reconhecimento, pelo Banco Central do Brasil, do estado de insolvência de instituição associada.

Nessa categoria provavelmente você conseguirá investir apenas em CDB’s, considerando que para as demais opções normalmente são exigidas quantias mais elevadas, de modo que você teria de acumular o valor do seu aporte por dois ou mais meses antes de realizar a primeira aplicação.

Diferente dos títulos públicos federais, cujo único emissor é o Tesouro Nacional, existem inúmeros emissores para os títulos privados. Especificamente no caso dos títulos garantidos pelo FGC, todos são emitidos por instituições financeiras.

Embora o FGC ofereça garantia aos investidores contra calotes das instituições financeiras, os títulos privados são mais arriscados que os títulos públicos, e por isso tendem a oferecer rentabilidade mais elevada no longo prazo.

Não existe um índice específico para medir o desempenho dos títulos privados. Costuma-se usar como referencial o CDI, que é diretamente influenciado pela Taxa Selic.

Mas não se preocupe com essas questões nesse momento. Você terá tempo para entender como funciona.

Para efeito de projeção, mediante a expectativa de que os títulos privados rendam acima dos títulos públicos, vamos considerar um prêmio de risco de 5% sobre a taxa de juros obtida na etapa anterior.

Valor Inicial Aplicação Mensal Períodos Total de Aplicações Taxa de Juros Rendimento Montante
R$ 0,00 R$ 300,00 24 R$ 7.200,00 1,3779% R$ 1.265,02 R$ 8.465,02

Entre 23 e 24 anos, sem capital inicial, você irá aplicar R$ 300,00 por mês em títulos privados garantidos pelo FGC, por 24 meses consecutivos, alcançando R$ 7.200,00 em aplicações, a uma taxa de juros média de 1,38% ao mês, que resultará em uma rentabilidade de R$ 1.265,02 e um montante de R$ 8.465,02 ao final do período.

Sua alocação após 8 anos estará assim:

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Suas aplicações anteriores continuarão rendendo juros. Nesta altura você já terá alcançado R$ 6.734,69 no Tesouro Selic, R$ 7.656,24 em títulos públicos variados e R$ 8.465,02 em títulos privados garantidos pelo FGC.

Acompanhe a relação entre seus aportes e os juros que serão recebidos até essa etapa:

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Em relação à etapa anterior, seu aporte crescerá 50% e o valor recebido em juros quase 150%.

Acompanhe a evolução gráfica do seu patrimônio após 8 anos:

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A MAIOR COMPRA DA SUA VIDA TALVEZ POSSA ESPERAR: com 25 a 26 anos, guarde 400 reais todos os meses em FUNDOS DE RENDA FIXA DE CRÉDITO PRIVADO


Após ter experimentado os títulos emitidos pelo governo e também pelos bancos, chegará o momento de “apimentar” um pouco a sua carteira.

Momento de incluir os títulos privados não garantidos pelo FGC, os quais, além dos bancos, incluem os títulos emitidos por empresas de quaisquer seguimentos.

Ocorre que, devido ao investimento mínimo nesses títulos ser superior ao seu aporte mensal, você não aplicará diretamente neles – salvo se optar por acumular o valor de seus aportes – mas através de um fundo de investimento da classe de renda fixa da modalidade crédito privado (o sufixo”Crédito Privado” deverá estar incluso no nome do fundo).

Fundo de investimento é uma comunhão de recursos, captados de pessoas físicas ou jurídicas, com o objetivo de obter ganhos financeiros a partir da aplicação em títulos e valores mobiliários. Isto é: os recursos de todos os investidores de um fundo de investimento são usados para comprar bens (títulos) que são de todos os investidores, na proporção de seus investimentos.

Fonte: Portal do Investidor – CVM

Além dos títulos privados relacionados na etapa anterior, os fundos de renda fixa de crédito privado também podem realizar aplicações em:

  • Certificado de Recebíveis Imobiliários – CRI;
  • Certificado de Recebíveis do Agronegócio – CRA;
  • Debêntures;
  • Letra Imobiliária Garantida – LIG;
  • Letras Financeiras – LF;
  • Fundo de Investimento de Direitos Creditórios – FIDC.

Independentemente dos ativos que compõe sua carteira, fundos de investimentos não possuem garantia do FGC, e obviamente precisam gerar uma expectativa de rentabilidade superior em relação aos ativos que contam com essa garantia, para se tornarem atrativos.

Para efeito de projeção, novamente vamos considerar um prêmio de risco de 5% sobre a taxa de juros obtida na etapa anterior.

Valor Inicial Aplicação Mensal Períodos Total de Aplicações Taxa de Juros Rendimento Montante
R$ 0,00 R$ 400,00 24 R$ 9.600,00 1,4468% R$ 1.780,40 R$ 11.380,40

Entre 25 e 26 anos, sem capital inicial, você irá aplicar R$ 400,00 por mês em fundos de renda fixa de crédito privado, por 24 meses consecutivos, alcançando R$ 9.600,00 em aplicações, a uma taxa de juros média de 1,45% ao mês, que resultará em uma rentabilidade de R$ 1.780,40 e um montante de R$ 11.380,40 ao final do período.

Sua alocação após 10 anos estará deste modo:

como fazer sua própria Previdência

Nesta altura você terá alcançado R$ 8.439,40 no Tesouro Selic, R$ 10.469,06 em títulos públicos variados, R$ 11.756,24 em títulos privados garantidos pelo FGC e R$ 11.380,40 em fundos de renda fixa de crédito privado.

Note que após 10 anos o valor recebido em juros praticamente igualará o valor dos aportes:

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Nesta etapa seus aportes irão crescer 33% e os juros se elevar em mais de 100% em relação ao período anterior.

Acompanhe a evolução do seu patrimônio:

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SEU EU ANTERIOR ESTÁ MORTO: com 27 a 28 anos, guarde 500 reais todos os meses em FUNDOS IMOBILIÁRIOS


Todas as aplicações da sua primeira década de investidor pertenceram à renda fixa. Chegou a hora de colocar um pezinho na renda variável.

A diferença fundamental entre essas duas classes é que na renda variável você pode obter rentabilidade negativa, ou seja, o seu capital investido pode até diminuir. Por outro lado, não existe um limite do quanto você pode ganhar.

Embora os fundos imobiliários sejam ativos de renda variável, nem de longe estão entre os mais voláteis, pois seu sobe e desce de preços não é tão expressivo. Por essa e outras razões são ativos interessantes para você iniciar na renda variável.

Valor Inicial Aplicação Mensal Períodos Total de Aplicações Taxa de Juros Rendimento Montante
R$ 0,00 R$ 500,00 24 R$ 12.000,00 1,9246% R$ 3.071,78 R$ 15.071,78

Entre 27 e 28 anos, sem capital inicial, você irá aplicar R$ 500,00 por mês em fundos imobiliários, por 24 meses consecutivos, alcançando R$ 12.000,00 em aplicações, a uma taxa de juros média de 1,92% ao mês, que resultará em uma rentabilidade de R$ 3.071,78 e um montante de R$ 15.071,78 ao final do período.

A taxa de juros utilizada na projeção foi baseada na média composta de janeiro de 2016 a dezembro de 2017 do Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) – que representa uma carteira teórica de fundos imobiliários, publicado pela BM&FBovespa.

Sua alocação após 12 anos estará assim:

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Após 12 anos você terá alcançado R$ 10.575,62 no Tesouro Selic, R$ 14.315,29 em títulos públicos variados, R$ 16.327,10 em títulos privados garantidos pelo FGC, R$ 16.064,94 em fundos de renda fixa de crédito privado e R$ 15.071,78 em fundos imobiliários.

Esta fase representará um marco. Será o momento de seus juros ultrapassarem seus aportes:

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Comparando com a fase anterior, seus aportes aumentarão 25% e os juros recebidos se elevarão em mais de 85%.

Acompanhe o gráfico com a evolução do seu patrimônio:

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COMECE A PLANEJAR OS PRÓXIMOS PASSOS: com 29 a 30 anos, guarde 600 reais todos os meses em FUNDOS DE ÍNDICE


Os fundos de índice serão o seu segundo passo no mercado de renda variável e o primeiro no mercado de ações. Isso mesmo, investir em fundos de índice é investir em ações, mesmo que indiretamente.

Um fundo de índice (também conhecido como ETF) é um ativo financeiro que replica a carteira teórica de um índice de mercado. Por exemplo, você já deve ter ouvido falar no IBOVESPA, que é o índice que mede o desempenho médio das ações mais negociadas no mercado brasileiro.

Pois bem, comprar um fundo de índice que replica o IBOVESPA é como comprar todas as ações que compõem o índice de uma única vez.

Valor Inicial Aplicação Mensal Períodos Total de Aplicações Taxa de Juros Rendimento Montante
R$ 0,00 R$ 600,00 24 R$ 14.400,00 2,3709% R$ 4.702,52 R$ 19.102,52

Entre 29 e 30 anos, sem capital inicial, você irá aplicar R$ 600,00 por mês em fundos de índice, por 24 meses consecutivos, alcançando R$ 14.400,00 em aplicações, a uma taxa de juros média de 2,37% ao mês, que resultará em uma rentabilidade de R$ 4.702,52 e um montante de R$ 19.102,52 ao final do período.

A taxa de juros utilizada na projeção foi baseada na média composta de janeiro de 2016 a dezembro de 2017 do IShares Ibovespa Fundo de Índice, também conhecido como BOVA11, o fundo de índice mais negociado na bolsa brasileira.

Lá se vão 14 anos. Como estará alocado o seu patrimônio aos 30 anos?

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Veja a mágica dos juros compostos consolidada no gráfico abaixo:

como fazer sua própria Previdência

Acompanhe a relação entre seus aportes e os juros recebidos após 14 anos:

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Em relação ao período anterior, seus aportes irão aumentar 20% e os juros recebidos se elevarão em mais de 80%.

Você terá acumulado R$ 13.252,56 no Tesouro Selic, R$ 19.574,57 em títulos públicos variados, R$ 22.675,12 em títulos privados garantidos pelo FGC, R$ 22.677,79 em fundos de renda fixa de crédito privado, R$ 23.815,17 em fundos imobiliários e R$ 19.102,52 em fundos de índice.

Seu patrimônio após 14 anos:

R$ 121.098,12

Um brasileiro sem dívidas, com mais de R$ 1.000 reais mensais de renda passiva, uma pequena fortuna no banco e ainda muita juventude. Você estaré melhor que 99% dos brasileiros. Considere-se um privilegiado.

O que fazer depois disso?

A partir desse momento você possuirá um leque de opções que a maioria dos brasileiros jamais poderá experimentar. Acredito que algumas delas serão estratégicas:

> Você poderá alcançar seu primeiro meio milhão em tempo muito inferior ao que levou para alcançar seus primeiros 100 mil reais.

> Dependendo da localização, você poderá comprar seu imóvel à vista, ou pagar uma entrada substancial, que vai lhe possibilitar reduzir drasticamente o prazo do financiamento e evitar que você vire mais um número na estatística dos inadimplentes imobiliários.

> Ou, se você se planejar direitinho, pode fazer as duas coisas também.

É muito bom ter opções, não é mesmo? Tudo isso por você começar cedo!

Concordo que não é fácil. Os imprevistos que lhe tomam dinheiro são bem mais comuns que aqueles que lhe trazem um extra. Além disso, existem fatores psicológicos que devem ser enfrentados, tais como o descontrole financeiro e as compulsões por compras de toda ordem.

Todavia, utilizamos valores modestos em nossas simulações, em tese factíveis até por quem recebe salário mínimo, desde que para um indivíduo sem dívidas nem dependentes, evidentemente.

Mas, ainda estamos distantes do mote que iniciou este artigo dividido em três partes. O ponto que buscamos alcançar é a renda garantidora da liberdade financeira, ou, em outras palavras, a renda que proporciona não depender exclusivamente de uma atividade laboral ou da previdência social.

Com esse intuito, na próxima parte avaliaremos as opções acima, além de destrinchar mais detidamente o poder dos juros compostos. Você vai ver que, por começar cedo, além de não depender da previdência, você poderá até antecipar em muitos anos a sua aposentadoria.

Se inscreve para ser avisado quando o próximo artigo sair.

Grande abraço.

PS: Se você não entendeu os títulos deste artigo, leia sua primeira parte aqui.

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