SEU GUIA SOBRE COMO USAR O 13º SALÁRIO COM INTELIGÊNCIA FINANCEIRA

Neste momento a maioria dos brasileiros está de bolso cheio. A Gratificação Natalina (mais conhecida como 13º salário) introduziu bilhões de reais na economia, favorecendo trabalhadores da ativa e beneficiários da Previdência Social.

Por mais que esta ideia desafie a crença ordinária, o 13° salário é o estopim de momentos de aflição para muita gente. São pessoas que não dão a destinação correta para esse dinheiro ou acreditam que por receberem um “dinheiro extra” também estão autorizadas a realizar gastos extras.

Muita, mas muita gente mesmo se esquece que o 13º salário antecede o mês com os maiores gastos do ano – também conhecido como janeiro –, comprometendo com novas dívidas todo o ano seguinte.

O Governo tem todo interesse que você torre seu dinheiro em compras, movimentando a economia e aumentando a arrecadação de impostos. Não é à toa que o prazo final para o pagamento do 13º é o dia 20 de dezembro de cada ano, pertinho do Natal e do Ano-Novo.

A questão chave é: como usar o 13º salário?

Algumas pessoas não possuem essa dúvida, o que será um grande problema se o motivo for uma predeterminação equivocada.

Portanto, questione-se!

Você não precisa ceder à pressão cultural que estimula o consumo e molda o comportamento da maioria. Tem gente por ai dando presente que não cabe no bolso, se comprometendo com dívidas e privações desnecessárias.

Você pode sair da “corrida dos ratos” se fizer uma escolha que te propicie mais tranquilidade financeira no ano que virá. Acredite que você pode fazer uma escolha!

O que define um bom uso do 13º salário depende do momento de cada um. Encontre o seu e acompanhe nossas dicas.

ESTÁ ENDIVIDADO?


Se você está endividado a melhor escolha é pagar as dívidas. Mesmo que isso lhe pareça doloroso, você evitará dores ainda maiores no futuro.

Os juros extorsivos do cartão de crédito e do cheque especial transformam dívidas aparentemente inofensivas em “monstros ferozes que se intrometem nos seus sonhos”. Se você gosta de dormir tranquilo, recomendo não brincar com eles.

Se não conseguir pagar todas as dívidas, priorize as mais caras. Mas lembre-se que o fator juro não é o único a ser considerado. As dívidas que possuem um bem como garantia (carro, imóvel e até impostos) não estão entre as mais caras, porém, se você não pagar, corre o risco de até perder seu patrimônio.

Uma opção que poucos pensam é a portabilidade de dívidas. Você pode tomar dinheiro emprestado a uma taxa de juros mais favorável, quitar sua dívida antiga e passar a pagar uma prestação menor (ou menos prestações) da dívida nova. Verifique as opções disponíveis no seu banco e faça as contas.

Pagou tudo e sobrou dinheiro? Vamos para a próxima etapa.

NÃO ESTÁ ENDIVIDADO?


Se você não possui dívidas ou conseguiu quitar todas elas com o seu 13º salário – e ainda sobrou dinheiro -, comemore. Sua situação está melhor que a da grande maioria dos brasileiros.

Sua missão agora é manter essa condição durante todo o ano que virá. E o primeiro passo é preparar-se para as despesas sazonais que chegam a partir de janeiro.

Se você tem filhos em escola particular certamente será cobrado a pagar a matrícula e uma nova lista de materiais.

Se tem automóvel, logo mais chegará em sua casa a conta do IPVA.

Se tem imóvel, terá de pagar o IPTU.

Se tem curso superior, a qualquer momento irá receber a cobrança da anuidade do seu conselho de classe.

Pior ainda se você tiver de pagar tudo isso junto!

Para não começar o ano devendo, reserve uma parte do seu 13º para todas essas despesas.

É incrível a quantidade de pessoas que quando não possuem dívidas gastam todo o valor sobressalente recebido no final do ano em presentes, se esquecendo dos compromissos que chegam a partir de janeiro.

Esse comportamento é absolutamente negativo do ponto de vista financeiro, sobretudo porque as despesas de Natal e de janeiro são previsíveis.

Você só estará autorizado a utilizar o 13º livremente se tiver se programado para isso. Certifique-se de que seguiu seu orçamento corretamente e faça as contas de quanto precisará para pagar as despesas do início do ano.

JÁ POSSUI RESERVA PARA AS DESPESAS DE JANEIRO?


Se nos dias atuais receber o 13º salário sem estar no vermelho já é motivo para comemorar, não precisar utilizá-lo para pagar as despesas de janeiro é um grande privilégio.

Se esse é o seu caso, reserve uma parte do seu 13º para começar (ou continuar) a construir a sua reserva de emergência.

Como o nome indica, a reserva de emergência se destina a cobertura de gastos imprevisíveis. Leia aqui tudo o que precisa saber para construir a sua.

JÁ POSSUI RESERVA DE EMERGÊNCIA?


Se você não está endividado, reservou ao longo do ano dinheiro suficiente para as despesas de janeiro e já possui uma reserva de emergência, parabéns! Você é o que pode ser chamado de uma pessoa rara.

Que tal começar a construir agora objetivos financeiros que vão lhe proporcionar mais qualidade de vida e liberdade financeira no futuro?

Mesmo que não seja muito, o 13º salário é uma ótima oportunidade para iniciar suas metas de investimentos.

Defina valores dentro de sua realidade e invista aquilo que você sabe que não irá utilizar.

Para citar um exemplo, com apenas R$ 30,00 você já pode começar a investir em títulos públicos, com segurança e rentabilidade superior à poupança.

Existem ainda muitas outras opções que você vai conhecer aqui no site.

CONCLUSÃO


Você que leu todo o artigo percebeu que apresentamos um raciocínio com a seguinte hierarquia:

  1. Pagar dívidas;
  2. Reservar valor para as despesas de janeiro;
  3. Reservar valor para emergências;
  4. Reservar valor para investir.

Esse é um caminho racional que você pode escolher seguir para utilizar pelo menos em parte do seu 13º salário.

Não estou afirmando que você deve se privar de luxos e prazeres, mas incentivo que se planeje adequadamente, para que os luxos e prazeres sejam parte do seu orçamento, para que sejam frequentes.

É muito importante (e saudável) que uma parcela de nossa renda mensal seja utilizada para fazer as coisas que mais gostamos.

Mas se ela estiver consumida pelos juros das dívidas, pode não sobrar nem para o essencial.

Desejo que você desfrute a vida todos os meses, não só no fim do ano.

Até o próximo artigo!