RESERVA DE EMERGÊNCIA: VEJA AQUI COMO MONTAR A SUA

Reserva de Emergência

“Comprei meu primeiro carro, mas esqueci de calcular as despesas de licenciamento e IPVA. E ainda por cima tomei uma multa. E agora?”

“Perdi meu emprego e ainda não paguei nem a primeira prestação da TV de LED que comprei mês passado. Não sei o que fazer.”

“Trabalho com vendas porta a porta e contrai uma pneumonia. Não tenho forças para sair da cama e não tenho a quem recorrer.”

Você já esteve na situação de precisar de dinheiro para as coisas mais básicas, até chegar ao ponto de perder o sono por não encontrar uma saída?

O objetivo deste artigo é explicar o que você deve fazer para nunca mais perder o sono por falta de dinheiro.

O QUE É UMA RESERVA DE EMERGÊNCIA?


A reserva de emergência é o valor que você acumula para se proteger de imprevistos, isto é, meses com mais gastos e/ou menos receitas que o esperado.

As despesas sazonais (IPVA, licenciamento, seguros, matrículas, etc.), por serem previsíveis, não deveriam consumir os recursos de uma reserva de emergência. Mas isso vai depender da sua capacidade de planejamento. Se você não prevê-las, então de fato elas se tornarão emergenciais.

Eu devo possuir uma reserva de emergência?

Absolutamente todas as pessoas devem possuir uma reserva de emergência. O que difere são as estratégias para a construção dessa reserva, pois diferentes pessoas estão expostas a diferentes riscos.

A reserva de emergência deve ser criada para dar cobertura à eventos que estão fora do seu controle. Mas se foi o seu planejamento financeiro que falhou – fato comum durante o desenvolvimento da nossa educação financeira -, essa reserva servirá para você corrigir o rumo sem maiores sustos.

Assim, as razões que poderão consumir os recursos da sua reserva de emergência são:

» Razões Intrínsecas: decorrentes de desídia ou omissão no planejamento financeiro (compras por impulso, falta de manutenção preventiva no veículo, etc.).

» Razões Extrínsecas: eventos que não estão sob nossa total influência (desemprego, problemas de saúde, acidentes, etc.).

SERVIDORES PÚBLICOS


Embora possuam salário fixo e estabilidade no trabalho, os servidores públicos também devem se empenhar para construir a sua reserva de emergência.

Como qualquer outra categoria funcional, esses trabalhadores também estão sujeitos a imprevistos que eventualmente extrapolam o orçamento mensal, como problemas de saúde, acidentes, um presente de casamento inesperado para um amigo, etc.

Ou os “imprevistos” que ocorrem por culpa nossa. Sabe aqueles momentos de excessos, onde gastamos mais do que o nosso salário é capaz de pagar? A reserva financeira será seu desafogo caso esse momento venha a ocorrer.

Atenção! Compreenda que esse montante poupado para emergências deve ser utilizado para situações excepcionais, portanto, não faça desse descuido uma rotina.

E no menor prazo possível recomponha sua reserva para o valor original.

Estratégia para servidores públicos

Construa uma reserva de emergência que represente pelo menos 2 meses do seu custo de vida mensal. Esse valor deve ser mantido em um local onde possa ser resgatado a qualquer momento e sem risco de perdas.

O objetivo não é obter a melhor rentabilidade, mas manter a segurança e liquidez do dinheiro. A poupança cumpre esses dois requisitos.

ASSALARIADOS DO SETOR PRIVADO


Quem é assalariado da iniciativa privada possui a vantagem de receber um salário fixo – o que facilita muito o planejamento –, mas não tem a mesma garantia de estabilidade dos servidores públicos.

Em tempos de crise econômica, quem está nessa condição convive diariamente com a incerteza da manutenção do emprego. Qualquer compromisso com empréstimos e financiamentos representa um alto risco de inadimplência.

Além de proteção contra os imprevistos que elevam as despesas, a reserva de emergência tem uma utilidade ainda mais importante para esse perfil: garantir a manutenção do padrão de vida e o cumprimento dos compromissos em uma eventual demissão, até o tempo necessário para uma recolocação profissional.

Estratégia para assalariados da iniciativa privada

Construa uma reserva de emergência que represente, no mínimo, 6 meses do seu custo de vida mensal. Esse é o tempo médio de recolocação do trabalhador brasileiro no mercado de trabalho. Tenha consciência que o seu seguro desemprego pode não ser suficiente para todo o período em que você busca uma nova oportunidade.

De todo modo, avalie a sua situação. O tempo de recolocação pode variar conforme sua área de atuação e nível de qualificação profissional.

E lembre-se que seu objetivo não é obter a melhor rentabilidade, mas aplicar o dinheiro em um local que ofereça segurança e liquidez imediata. Você tem duas opções para esse fim:

» Opção Padrão: você pode aplicar o valor equivalente a 6 meses do seu custo de vida mensal integralmente na poupança;

» Opção Ótima: para quem conhece o Tesouro Direto uma excelente alternativa é aplicar o valor equivalente a 1 mês do custo de vida mensal na poupança e os 5 meses restantes (ou mais) no título público Tesouro SELIC.

Dificilmente você terá algum motivo para sacar o valor necessário para um mês de uma única vez. Esse prazo é mais que suficiente para transferir os recursos do título público para a poupança, antes que a sua conta fique no zero.

Dessa forma, você estará aliando a liquidez imediata da poupança com a rentabilidade superior da aplicação mais segura do mercado. (Sim, o Tesouro SELIC é a aplicação mais segura que existe. Conheça absolutamente tudo sobre ele clicando aqui). :)

COMISSIONADOS, AUTÔNOMOS E PROFISSIONAIS LIBERAIS


Se você é remunerado por comissões, prêmios ou níveis de produtividade, tem uma razão a mais para construir a sua reserva de emergência.

Essa razão decorre do desconhecimento da renda futura, fato este que gera imprecisões no controle financeiro, uma vez que você não tem a garantia de obter, em todos os meses, receitas que superem os seus custos.

Assim, sua reserva de emergência irá suprir suas necessidades nos meses em que a entrada de recursos for inferior ao seu custo de vida mensal.

Evidentemente que essa situação deve ser uma exceção. Você deve se planejar de modo que o seu custo de vida mensal seja inferior a média de suas receitas mensais.

Estratégia para quem recebe renda variável

Construa uma reserva de emergência que represente pelo menos 8 meses do seu custo de vida mensal.

Como os assalariados, você também tem a opção de manter esse valor integralmente na poupança, ou mesclá-lo entre poupança e Tesouro SELIC, caso você conheça o funcionamento dos títulos públicos. Se for o caso, sugiro manter o valor equivalente a 1 mês na poupança e os 7 meses restantes no título público.

GUIA PRÁTICO, PARA TODOS OS PERFIS SALARIAIS:


#1. Pague suas dívidas. Não faz sentido poupar dinheiro se você possui contas em atraso, empréstimos, dívidas no cartão de crédito e cheque especial. Primeiro pague todos esses compromissos para só depois começar a montar sua reserva de emergência (não incluir aqui o financiamento imobiliário, ele deve ser contemplado dentro do seu custo de vida mensal).

#2. Identifique qual é o seu custo de vida mensal. E monitore as variações ao longo do tempo.

#3. Viva abaixo de suas possibilidades. Por vezes precisamos de uma certa dose de sacrifício quando iniciamos a nossa mudança de atitude em relação ao dinheiro, principalmente quando não sobra nada para poupar. Você precisa encontrar uma forma de gastar menos do que ganha se quiser construir a sua reserva de emergência. Pense em reduzir (ou eliminar) temporariamente os passeios e pequenos prazeres do dia a dia, pois quando somados eles consomem boa parte da renda no final do mês.

#4. Priorize as aplicações. Ao receber seu salário e não havendo dívidas a pagar, a primeira atitude que você deve tomar é aplicar o valor destinado à construção da sua reserva financeira. Faça isso antes de qualquer tentação para gastar o dinheiro.

#5. Esqueça deste dinheiro. Você só deve utilizá-lo em último caso. Se precisar utilizar, recomponha o valor original tão logo isso seja possível.

Mas Rômulo, não sobra nada dos meus rendimentos mensais. Como faço para construir a minha reserva de emergência?

Se de forma recorrente seus rendimentos são iguais ou inferiores ao seu custo de vida mensal, algo vai muito errado com a sua vida financeira.

Considerando que aumentar os rendimentos dificilmente depende apenas de um ato de vontade própria, na maioria das vezes será mais efetivo você se concentrar na redução de suas despesas.

Se você está passando por situação em que precisa reduzir despesas e já não sabe mais de onde tirar, leia este artigo imperdível que vai te ensinar como economizar até centenas de reais por ano, de uma maneira simples e sem esforço, mas que a grande maioria dos brasileiros desconhece.

A DICA DE OURO. Ela é SIMPLES, mas PODEROSA, e vai facilitar muito a construção da sua reserva de emergência

Considere acumular um valor que represente o seu custo de vida essencial.

Todos nós separamos uma parte da nossa renda para o lazer e gastos de interesse pessoal. Tais gastos são extremamente importantes para nossa saúde física e mental e devem ser incentivados dentro de um orçamento equilibrado.

Ocorre que em uma situação de escassez de recursos fica muito difícil mantê-los, pois a prioridade passa a ser a sobrevivência.

Veja no exemplo abaixo porque considerar o seu custo de vida essencial, ao invés do seu custo de vida total, pode fazer toda a diferença na montagem da sua reserva de emergência.

Vamos supor que você trabalhe na iniciativa privada, recebe um salário de R$ 1.500,00 e todos os seus gastos mensais somam R$ 1.300,00.

Se você considerar o seu custo de vida total, sua reserva de emergência deverá ser, no mínimo, R$ 7.800,00 (R$ 1.300,00 * 6).

Considerando que você tenha livre R$ 200,00 para aplicar todos os meses, você precisará de 39 meses (mais de 3 anos) para completar sua reserva (R$ 7.800,00 / R$ 200,00).

É muito tempo, não?

Agora, suponhamos que você gaste 30% dessa renda com lazer, compras supérfluas e atividades do seu interesse.

R$ 1.500,00 * 30% = R$ 450,00

Logo, dos R$ 1.300,00 que compõem o seu custo de vida mensal, R$ 850,00 representam o seu custo de vida essencial, o mínimo que você precisa para sobreviver sem passar necessidade (R$ 1.300,00 – R$ 450,00).

Trabalhando com essa métrica, o montante necessário para a reserva de emergência passará a ser R$ 5.100,00 (R$ 850,00*6).

Com este novo critério, você precisará de 25,5 meses (cerca de dois anos) para completar sua reserva (R$ 5.100,00 / R$ 200,00).

Facilitou?

O ideal é que você se esforce para montar sua reserva de emergência no menor prazo possível. No nosso exemplo, se você conseguir diminuir pela metade seus gastos não essenciais, sobrarão R$ 425,00 todos os meses para aplicar na sua reserva. Em um ano você terá chegado lá!

R$ 5.100,00 / R$ 425,00= 12 meses

CONCLUSÃO


Agora eu quero deixar duas perguntas para sua reflexão:

1) Se você parasse de trabalhar hoje, quanto tempo teria para se manter até encontrar uma nova fonte de renda?

2) Mesmo estando empregado, você tem algum valor guardado que lhe dê suporte para cobrir emergências, sem tirar o dinheiro de outras contas ou recorrer a um empréstimo?

A esta altura espero que você esteja convencido da importância da reserva de emergência como a sua garantia de tranquilidade financeira.

“O preço de se construir uma reserva de emergência certamente passa por algum aperto financeiro, meses sem viagens, menos passeios de fim de semana, menos presentes, etc…

…o preço por não construir pode ser a derrocada de uma vida, a troca forçada da escola dos filhos, a devolução de um apartamento e até o fim de um casamento.”

Pense nisso.

  • Que bom que foi útil Michela. Conte com o blog se tiver dúvidas nesse processo.

  • Obrigado Rafael. Realmente o primeiro passo pode ser o mais difícil, mas a partir do momento que internalizamos o hábito de poupar, tudo acontece naturalmente.

    Abraços.

  • Michela Roberta Caldeira Gusmã

    Caracas, e eu pensando que estava bem com minha reserva mensal…obrigada por esclarecer muita coisa. Primeiro, farei a planilha financeira, depois, como aumentar essa reserva.

  • Rafael Paes

    Muito legal o artigo. É difícil começar mas é o mínimo né?!

  • Valtaira Abadia da Silva

    Excelente artigo, parabéns!